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A Banda da Banda I/II

No decorrer das próximas semanas perpetua-se a memória. Apresentamos momentos, eventos e histórias que marcaram o percurso de vida da BD2J. Grande parte destes podem encontrar no livro da associação Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro por Rui Aleixo.

Foi com os acordes da marcha “O Democrata”, de Henrique Lopes, que se apresentou, em 1914, na Praça da República, a Banda do
Centro Democrático, que se viria a chamar Banda Democrática 2 de Janeiro, constituída essencialmente por músicos oriundos da
Academia Musical União e Trabalho, de Sarilhos Grandes, e dissidentes da Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro.
Sem instrumental próprio nem fardamento, iniciava assim um lento e penoso percurso, que viria a ser alterado, nove anos depois, pela acção
do maestro Amadeu de Moura Stoffel. Lembrou José Luís Cardeira, insigne figura da colectividade, que a população do Montijo desprezava a filarmónica por ser composta, na sua totalidade, por trabalhadores rurais da vila, e que esse ambiente de hostilidade só se dissipou no dia em que o maestro Amadeu de Moura Stoffel passou a dirigi-la e «a impôs ao respeito e à consideração gerais, mantendo o prestígio da filarmónica e da colectividade nos vinte e oito anos que se seguiram». O talento e a ousadia do maestro permitiram que, dois anos depois
de ter iniciado a sua regência, a banda apresentasse no seu repertório obras de compositores clássicos. Aconteceu, pela primeira vez, no dia 5
de janeiro de 1925 e, podemos, hoje, evocar esses momentos: «Pelas 21 horas e meia, garbosa e firme segue pelas ruas a Banda
Democrática, à frente o rapazio alegre e saltitante a atrás um compacto acompanhamento de povo. É a nossa Banda da República que nos faz
ouvir agradavelmente uma bela marcha executada a primor. A luz dos archotes põe na escuridão da noite manchas vermelhas que
traduzem entusiasmo e alegria, semelhando as sombras que projecta no chão e nas paredes, figuras irrequietas de seres estranhos que vêm aplaudir
o esforço vigente daqueles homens de trabalho, que tão sacrificadamente dedicam à música. Há verdadeiro gozo no povo que acompanha a sua
banda de música e que vem encontrar já repleto o salão de pessoas
de todas as condições sociais e idades e de ambos os sexos. Muitos centenares de pessoas enchem o salão onde mal se pode andar.
Vai começar o concerto. Como o pano do primeiro teatro da capital afastam-se as duas partes
do pano e surge surpreendente nos seus vistosos fardamentos a Banda Democrática, que começa por executar o seu hino, sendo freneticamente
aplaudida. Segue o programa afixado nas paredes e já distribuído. Ouvem-se sempre com aplausos, “Suspiros de Espanha”, “Crysis”,
“Fada Liré”, e segue-se-lhe uma selecção da ópera «Cavalaria Rusticana» [Mascagni]. É a primeira vez que a Banda se apresenta em público executando óperas. O ilustre regente Sr. Amadeu Stoffel anima os rapazes, imprime-lhes coragem e confiança e dá, senhor de si, a entrada. Ouvem-se pela sala uns “schiu” prolongados. A peça avança e os rapazes, olho na batuta que lhes sorri, que os atrai, seguem melodicamente, com a
precisa harmonia e confiança, compasso por compasso, nos fortes e nos pianos, com admiração de toda a gente, especialmente dos seus amigos
cujo coração parece deter-se e cujos cabelos se eriçam de contentamento e de esperança ao mesmo tempo. Há solos difíceis, mas José Porfírio,
Carlos de Sousa e Salazar, lêem-nos e executam com correcção, e Stoffel, sempre risonho, alma aberta para todos os seus alunos, a reflectir-lhes
serenidade, (…) consegue levar ao fim a sua gente com acerto e com primor que a povoada assembleia recebe com carinho de uma estrondosa
salva de palmas(…). Segue-se-lhe logo outra selecção de outra ópera “Baile de Máscaras”[G.Verdi](…). Bela e saudosa noite de festa constituiu ela uma honra para a Banda Democrática e uma glória para o seu ilustre regente.»
Foi Amadeu de Moura Stoffel que transformou um agrupamento de homens rudes, mas sensíveis, numa filarmónica prestigiada e reconhecida, que aglomerava nos seus concertos «uma tão grande assistência e um tão grande entusiasmo».
Mais do que a acção do maestro, foi a dimensão do homem na plenitude das suas virtudes que marcou a presença de Amadeu de Moura
Stoffel no Montijo e na direcção da banda, enriquecendo-os com a sua inteligência e dedicação.
No dia 17 de julho de 1923, o maestro dirigiu o primeiro ensaio e, como viria a reconhecer, mais tarde, um grupo de sócios, que se constituiu
para o homenagear, «tal facto que podia ser banal, foi o início da obra enorme de luta e trabalho, de progresso e brio, de consolidação moral e
material, a que a sua actividade incansável e generosa nos impulsionava». A acção do regente «encerrou os nove anos vexatórios do riso e da
troça dos adversários, e tornou-se a glória da colectividade e o orgulho da massa associativa». A forma como Amadeu de Moura Stoffel dirigiu a banda «tornou-se um símbolo dum período de progresso e prestígio crescente» e originou uma forte empatia com os músicos que, num período mais conturbado da história da colectividade, não aceitaram a sua demissão e fizeram greve
até ao dia em que Amadeu de Moura Stoffel foi reintegrado. Reconhecia, então, acerca desta crise, o jornal “Gazeta do Sul” que
«a Banda Democrática, colectividade que sempre representou o povo mais humilde desta terra, deu, no decorrer dos últimos meses, o exemplo
de um comportamento exemplar, de que muitas outras não seriam capazes. Soube esperar, ordeiramente, que passasse a crise que atingiu
a colectividade e quase pôs em risco a sua existência, soube manter-se intransigente na questão com o seu mestre querido e soube, a tempo, fazer a justiça que se impunha».

In Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro por Rui Aleixo 

Continua…

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