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A Banda da Banda II/II

No decorrer das próximas semanas perpetua-se a memória. Apresentamos momentos, eventos e histórias que marcaram o percurso de vida da BD2J. Grande parte destes podem encontrar no livro da associação Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro por Rui Aleixo.

Em 17 de outubro de 1951, o maestro cessava amigavelmente a suacolaboração com a Banda e foi substituído por Homero Ribeiro Apolinário. Amadeu de Moura do Nascimento Stoffel nasceu em Bragança,no dia 24 de dezembro de 1885, no seio de uma família de músicos.
Aos 12 anos era já exímio na execução de violino, flauta e saxofone,«revelando excepcionais dotes artísticos que o seu amor pela música
levou a completar com uma ilustração digna de relevo». O músico integrou as orquestras do Coliseu e de S. Carlos, a Tuna dos Sargentos e a Banda da Guarda Municipal (Guarda Nacional Republicana, após a implantação da República), onde veio a reformar-se como sub-chefe músico. O maestro dirigiu as filarmónicas de Santarém, Almada, Cascais Paredes, Alcochete, entre outras, mas ficará sempre conhecido como «o homem que mais concorreu para o prestígio da sua arte no Montijo, levando os seus músicos a vários pontos do país, os quais dirigidos pela sua mágica batuta conquistaram grandes aplausos na execução de peças da mais transcendente responsabilidade». Em 25 de outubro de 1959 faleceu Amadeu de Moura Stoffel. Jaz no cemitério do Montijo, «lugar do Mundo que escolheu para repouso dos seus restos mortais – porque não se escolhe a terra de naturalidade, mas pode adoptar-se com o coração a terra escolhida para repouso dos restos mortais», como fez questão de frisar o Dr. Joaquim Tapadinhas. A Filarmónica continuou a somar êxitos, trilhando um caminho pejado de dificuldades, acabando por se extinguir em 1970. Escola de músicos, a banda foi também uma embaixadora itinerante do Montijo, apresentando-se, em vários pontos do País, quer para  participar no aniversário das suas congéneres, quer para abrilhantar festejos populares, sempre muito aplaudida. A virtuosidade dos seus intérpretes e a fama que a filarmónica alcançou está bem patente no convite que lhe foi endereçado pelo empresário teatral Vasco Morgado, um dos mais importantes na época, para que actuasse no Parque Mayer. A mobilização militar de jovens músicos para a guerra colonial, a emigração e a migração de outros à procura de uma vida melhor, a par do absentismo aos ensaios, quantas vezes por motivos profissionais, do recurso a músicos profissionais, para preencherem alguns naipes, ainda que provisoriamente, e uma mal sucedida substituição do maestro Homero Ribeiro Apolinário, mobilizado militarmente, em 1963, são algumas das causas próximas da extinção da filarmónica. Registe-se e some-se também a estas causas que, à época, «a cotização é fraca e as receitas nem sempre dão. Os “carolas” também cansam por fim… E chegam as alturas em que é necessário pagar instrumentos…E um dia chega também em que é preciso vestir de novo a Banda, que os fardamentos, com o tempo, despedem-se dos músicos… Mas se vestir hoje em dia qualquer cidadão é problema grave, vestir uma Banda é coisa complicada e de pôr calafrios na espinha do mais impassível e optimista dos directores». Quando, no alvor da década de setenta, a filarmónica deixou de entoar os acordes do seu instrumental, anunciava-se o fim da principal actividade cultural da Banda Democrática e o encerramento daquele que tinha sido
um autêntico “Conservatório Popular”, que prestou relevantes serviços à divulgação da música e ao prestígio cultural do Montijo. Findava-se uma banda assumidamente laica, cujo regulamento a proibia de participar em procissões ou outras manifestações de cariz religioso e, quando isso aconteceu, em Elvas, em 1969, músicos houve que, em protesto, se recusaram a tocar. Um ano depois, os instrumentos emudeceram.
A história musical da Banda Democrática, que urge escrever, lembrará então o seu percurso e o nome dos seus virtuosos músicos, que aqui se evocam no nome do tão exímio quão humilde trompetista António Ambrósio Neto.

 

In Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro por Rui Aleixo 

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